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	<title>SOTEROPOLITANOS</title>
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		<title>SOTEROPOLITANOS</title>
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		<title>Salvador: 459 anos de injustiças sociais</title>
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		<pubDate>Sat, 23 May 2009 18:13:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[CIDADE]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Erick Issa e Luide Farias
No dia 29 de março de 2008, a capital baiana completou 459 anos. Desde que Tomé de Sousa chegou ao porto da Barra, em 1549, para fundar a bela Salvador, a cidade passou por variados processos, desde a escravidão até a urbanização. Apesar de toda transformação à qual Salvador foi [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosartigos.wordpress.com&blog=1617618&post=17&subd=soteropolitanosartigos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Por Erick Issa e Luide Farias</p>
<p style="text-align:justify;">No dia 29 de março de 2008, a capital baiana completou 459 anos. Desde que Tomé de Sousa chegou ao porto da Barra, em 1549, para fundar a bela Salvador, a cidade passou por variados processos, desde a escravidão até a urbanização. Apesar de toda transformação à qual Salvador foi submetida, parecemos estar fadados às desigualdades e misérias sociais.<span id="more-17"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Tais transformações segregam-se em pequenas parcelas do território soteropolitano. No entanto, Salvador é feita de toda gente, e não de minoria.</p>
<p style="text-align:justify;">Como conseqüência, de primeira capital do país, Salvador, ostenta hoje outro rótulo: o de campeã nacional do desemprego. Para chegar ao fundo do poço, dados divulgados pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), em março de 2008, revela que na Região Metropolitana de Salvador há cerca de 388 mil desempregados, o que assola 20,9% da população economicamente ativa (PEA).</p>
<p style="text-align:justify;">Além de todos os títulos citados remetidos à cidade, Salvador ainda continua sendo a capital mais antiga do país. Título esse que, por nenhuma força, será reclamado por outra cidade. Esta afirmativa talvez explique o cômodo ócio de antigos e atuais administradores da bela cidade que prometem, mas nunca conseguem reduzir a taxa de desemprego na capital, dando pouco, ou nenhuma, importância ao caso.</p>
<p style="text-align:justify;">Para completar, este ano tem eleição e mais uma vez estará afixado o trampolim político. Propostas serão elaboradas, explanadas e saltadas para um banho caloroso da fé inabalável dos baianos de que isso aqui tem solução. Sim, “isso aqui”. Mas cabe ao eleitor/leitor acreditar, ou não, mais uma vez nas promessas que nunca vingaram.</p>
<p style="text-align:justify;">Sob as máximas “a esperança é a última que morre” e “brasileiro não desiste nunca”, desempregados todos os dias acordam com a expectativa de conseguir um bom ofício. Se o sistema não for revisto, a vez da esperança, que é a última, chegará.</p>
<p style="text-align:justify;">Quem sabe o desemprego e a miséria sejam fatores que levem ao crescente índice de violência na capital baiana. Sim, pois não adianta trabalhar oito horas por dia ganhando um salário mínimo, enquanto estorquir, trambicar, furtar ou traficar é uma ocupação mais lucrativa, sem alienação ou mais-valia.</p>
<p style="text-align:justify;">O que vamos fazer para mudar a realidade? A resposta deveria estar com os governantes, mas é incrível que todos se isentem da culpa pelo título do desemprego. A cada quatro anos muda o prefeito. O que não muda é a agressão psicológica, moral e social enfrentada pela população.</p>
<p style="text-align:justify;">Enquanto os governantes discutem de quem é a culpa pelo alto índice de desemprego, a violência e a miséria aumentam. Não obstante, os administradores dessa cidade ainda hão de dizer que Tomé de Sousa é o culpado. “Foi ele quem começou, o safado”, argüirão. “Maldita bola de neve”, outro reforçará.</p>
<p style="text-align:justify;">Dentre toda esta questão, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou pesquisa informado que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 5,4% em 2007. Ao que parece o país vem crescendo mais do que nos últimos anos, mas Salvador não consegue acompanhar o ritmo de crescimento.</p>
<p style="text-align:justify;">A cada pesquisa divulgada sobre o desemprego, a capital baiana bate recorde. É a atriz principal. E a cortina ainda nem foi aberta.</p>
<p style="text-align:justify;">Por hora, vamos sonhar com dias melhores. Vamos acreditar que a taxa de desemprego irá cair, que o preconceito irá acabar na cidade de maior população negra do país, e que as promessas de eleição serão cumpridas. Assim teremos a certeza de que Salvador não mais será a campeã do desemprego, nem da miséria, muito menos das desigualdades e injustiças sociais.</p>
<p style="text-align:justify;">Neste dia poderemos com orgulho acordar nas manhãs de 29 de Março e dizer: Parabéns Salvador! Tenho orgulho de você!</p>
<p style="text-align:justify;">Enquanto tal sonho não se torna realidade, continuemos vivendo o amargo e real pesadelo que nos dá a certeza de que nada temos a comemorar pela passagem dos 459 anos da cansada Salvador.</p>
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		<title>O problema do negro ontem e hoje: da Antropologia criminal ao toque do berimbau</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Jul 2008 20:24:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>

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		<description><![CDATA[
Isac Coelho Sousa (1)
O chamado “Projeto UNESCO” – realizado nos anos de 1951 e 1952 – não apenas abriu um caminho novo no sentido de apontar um vasto e diversificado quadro das relações raciais no Brasil, mas possibilitou o surgimento de novas leituras, situadas na problemática, das grandes mudanças que ocorriam no interior da sociedade [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosartigos.wordpress.com&blog=1617618&post=14&subd=soteropolitanosartigos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><a href="http://soteropolitanosculturaafro.files.wordpress.com/2008/07/isac.jpg"><img class="size-full wp-image-109 alignleft" style="float:left;" src="http://soteropolitanosculturaafro.files.wordpress.com/2008/07/isac.jpg?w=246&#038;h=358" alt="" width="246" height="358" /></a><img class="size-full wp-image-108 alignnone" src="http://soteropolitanosculturaafro.files.wordpress.com/2008/07/berimbau-isac.jpg?w=153&#038;h=400" alt="" width="153" height="400" /></p>
<p style="text-align:justify;">Isac Coelho Sousa (1)</p>
<p style="text-align:justify;">O chamado “Projeto UNESCO” – realizado nos anos de 1951 e 1952 – não apenas abriu um caminho novo no sentido de apontar um vasto e diversificado quadro das relações raciais no Brasil, mas possibilitou o surgimento de novas leituras, situadas na problemática, das grandes mudanças que ocorriam no interior da sociedade brasileira, que estava imersa em uma passagem acelerada da sociedade tradicional (ainda com resquícios coloniais, baseada na economia plantation-exportador) para o processo de modernização capitalista.<span id="more-14"></span></p>
<p style="text-align:justify;">No sentido de apresentar ao mundo, o quadro das relações raciais no Brasil, julgada na época como harmônica e bem-sucedida (tanto interna quanto externamente), a investigação dessas pesquisas se nortearam pela realização de um contraponto, tendo em vista perceber como se davam essas interações raciais nos diferentes recantos do país. Com esse objetivo, foram realizadas investigações em regiões economicamente tradicionais, como o Nordeste, e em áreas alinhadas com o processo de modernização capitalista, como a região Sudeste, mais especificamente as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.</p>
<p style="text-align:justify;">As inúmeras pesquisas patrocinadas pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) também nos oferece uma oportunidade singular para analisarmos o desenvolvimento das Ciências Sociais no Brasil dos anos 50, observando as trajetórias intelectuais e sociais dos pesquisadores envolvidos (sejam eles nacionais ou estrangeiros), além de destacar o importante papel de disciplinas como Antropologia e Sociologia na elaboração destes projetos.</p>
<p style="text-align:justify;">A eleição da cidade de São Paulo, escolhida enquanto universo empírico privilegiado (para análise das relações/convivência entre brancos e negros), como contraponto a Salvador, justifica-se por se tratar do primeiro núcleo urbano brasileiro, especificamente burguês, no qual estava totalmente difundida uma mentalidade de caráter notadamente mercantil “com seus corolários característicos: o afã do lucro e a ambição do poder pela riqueza. Pensava-se que o ‘trabalho livre’ e a ‘iniciativa individual’ e o ‘liberalismo econômico’ eram os ingredientes do ‘progresso’, a chave que iria permitir superar o ‘atraso do país’, propiciar a conquista dos foros de ‘nação civilizada’ pelo Brasil(2).</p>
<p style="text-align:justify;">Um fator importante que o texto coloca foi a escolha da UNESCO pelo Brasil, como nação símbolo e exemplo a ser seguido pelo mundo, no tocante a uma democracia racial. Primeiro temos que analisar o contexto ao qual esteve inserida a fundação da UNESCO, e depois apontar o porquê desta escolha.</p>
<p style="text-align:justify;">A fundação da UNESCO, na década de 50, foi uma resposta ao momento de profunda crise vivenciada pela civilização Ocidental – mais especificamente a Europa – numa época em que o mundo saía de uma guerra dilacerante (tanto em perdas humanas quanto estruturais), que teve suas batalhas ideológicas e militares, em grande parte justificadas pelo racismo, e que se corporificaram em sua conseqüência mais perversa, o Holocausto.</p>
<p style="text-align:justify;">Dentro de uma perspectiva universalista e igualitária, a Unesco estimulou a “produção de conhecimento científico, a respeito do racismo, abordando as motivações, os efeitos e as possíveis formas de superação do fenômeno”(3), pois mesmo depois da queda de regimes totalitários (nazismo), a questão racial estava ainda em pauta, devido a persistência de regimes racistas como nos EUA e na África do Sul, e fatos importantes como o processo de descolonização Afro-asiático e a guerra fria entre soviéticos e americanos.</p>
<p style="text-align:justify;">Nesse sentido, a recém-fundada UNESCO buscava um contraponto à Alemanha nazista de Hitler, que fosse exemplo para o mundo, ou seja, uma sociedade ímpar, (situada na periferia do mundo capitalista), em que as tensões étnico-raciais fossem mínimas, e que as raças convivessem de forma harmônica e cordial.</p>
<p style="text-align:justify;">A tese de que o Brasil era símbolo desse contraponto, de uma nação onde reinava de fato a democracia racial, remonta aos antigos relatos de viajantes europeus, que ao cruzar nosso território no século XIX, ficaram surpresos com uma (suposta) convivência pacífica entre as diversas etnias (índios, negros e brancos e depois os imigrantes) que habitavam o Brasil. A imagem de que o Brasil era um “paraíso racial”, despertou muito o entusiasmo dos membros da UNESCO, que iniciaram e patrocinaram (com o objetivo de contrastar a experiência brasileira com a norte-americana e Sul-africana) uma série de estudos no intuito de apresentar ao mundo dados substanciais que comprovassem tal concepção.</p>
<p style="text-align:justify;">A concepção do Brasil como ambiente harmônico de convivência entre as raças, contrastava com a versão pessimista, até então hegemônica, acerca da identidade nacional, que provinha dos receios das elites brasileiras (que devido à tardia abolição da escravidão e a proclamação da república, temiam que o Brasil se tornasse um novo Haiti), atribuíam os obstáculos da inserção do país na modernidade, à enorme contribuição africana e a intensa miscigenação, que marcaram visivelmente o compósito racial brasileiro.</p>
<p style="text-align:justify;">A partir dos anos 20, o Brasil passou por uma série de transformações econômicas, políticas e sociais, que visavam implantar no país o processo de industrialização e o modelo de sociedade capitalista, com isso, surgiu o debate de se firmar uma versão oficial e definitiva acerca da identidade racial. Nesse sentido, o enfoque pessimista da contribuição de negros, índios e mestiços, foi substituído pela visão otimista (que teve em Gilberto Freyre seu expoente máximo) que identificava na experiência brasileira, traços de harmonia e tolerâncias entre as raças.</p>
<p style="text-align:justify;">A idéia de que no Brasil havia apenas o preconceito de classe, e de que o preconceito racial seria apenas mais um elemento da desigualdade social, remonta aos inúmeros estudos realizados por norte-americanos e brasileiros, anteriores a década de 50, que apontavam o Brasil como sendo um caso diferente na conjuntura mundial, portador de um grande potencial democrático, ou ainda, nas palavras de Arthur Ramos “um laboratório de civilização”.</p>
<p style="text-align:justify;">Antes mesmo de se tornar diretor do Departamento de Ciências Sociais da Unesco, Arthur Ramos já se mostrava em consonância com as crescentes preocupações da instituição internacional, em relação ao Racismo, e as dificuldades de ordem socioeconômicas que eram latentes nos países subdesenvolvidos. Nesse sentido Arthur Ramos julgava necessário (antes do projeto Unesco em 50) a implementação de estudos acerca da integração dos grupos indígenas e negros ao mundo moderno, em conjunto ao programa de erradicação do analfabetismo, já existente, e implementado pela Unesco em parceria com o governo Brasileiro.</p>
<p style="text-align:justify;">As representações do negro nos discursos do séc. XIX nos remete à forma como a ciência estava se construindo como corpo sistematizado dentro da nossa cultura; e dentro desse ínterim temos o Doutor Nina Rodrigues como a imagem dessa ciência que se construía vendo o negro como objeto de estudo, como se fazia com a biologia animal, a zoologia, etc. O negro como “problemática” do ramo da Antropologia criminal levaria a uma enorme contribuição e alçaria o vôo desses estudos considerados relativamente novos nessa época. Essa contribuição seria mais acentuada principalmente pela necessidade de classificação dos tipos criminosos e a busca de razões genéticas através das características fenotípicas. Para isso era preciso que se preservasse todo e qualquer documento sobre a escravidão, necessários à construção de quadros classificatórios que viriam a contribuir na formação de uma identidade brasileira.</p>
<p style="text-align:justify;">Esse rápido olhar sobre o trabalho de Nina Rodrigues nos faz pensar sobre a maneira como no século XIX a sociedade brasileira via no negro, e uma análise dos trabalhos feitos pela Unesco no seu projeto de se debruçar sobre pesquisas feitas no Brasil nos remete a algumas questões: a primeira delas é que os estudos sobre o negro têm ou teve na Bahia um local privilegiado por causa da imensa quantidade de negros concentrados principalmente no recôncavo e região metropolitana. Em segundo lugar, esses estudos criaram a imagem de uma Bahia onde as distinções raciais eram amenizadas por uma ausência de preocupação quanto à identidade racial, pois segundo os trabalhos de Métraux a Bahia era uma terra de mestiçagem muito acentuada e a seu ver prevalecem os problemas de natureza social. Em terceiro lugar, as experiências de miscigenação em São Paulo e no Rio de Janeiro, por serem muito diferentes da baiana servem como contraponto essencial desses estudos, pois, nesses estados, a experiência de miscigenação é bem menos acentuada em contrastes com o alto desenvolvimento econômico, o que acentuaria ainda mais as diferenças raciais nesses estados.</p>
<p style="text-align:justify;">Envoltos nessa atmosfera dos trabalhos de sociologia que despontava como uma ciência em construção, principalmente no sudeste, esses homens se posicionaram muitas vezes como a vanguarda conscientizadora e libertadora dos “leigos”, que dificultavam o surgimento de uma mentalidade de novo tipo capaz de canalizar esforços na direção de uma sociedade industrial democrática tanto em termos políticos quanto sociais. Seria função do sociólogo, segundo Florestan Fernandes, desvendar os fundamentos da estrutura social, no intuito de indicar os mecanismos de reprodução do racismo (Fernandes, 1960, p. 11).</p>
<p style="text-align:justify;">Fazendo uma ponte entre esses projetos de agências internacionais e o ponto em que temos a Bahia como lugar privilegiado para esses estudos, além da presença histórica da Faculdade de Medicina da Bahia com seu ilustre representante Dr. Raymundo Nina Rodrigues, temos historicamente uma distinção abertamente racista dos antigos e novos médicos eugenistas baianos, não só na Faculdade de Medicina, como em toda a elite baiana (que faz parte elite intelectual), que sentem uma forte ameaça, do movimento negro e da abertura das cotas. Esta tradição racista estava simplesmente recalcada e o que o Prof. Natalino Dantas fez, dois séculos depois do seu colega legista, foi, acima de tudo, um favor de nos lembrar de forma abrupta e aberta que o racismo existe e que de tempos em tempos a elite, a própria elite racista tem que nos acordar todos do torpor que é o eco da reafirmação histórica do mito “democracia racial”. Temos ainda, só a título de ilustração, matéria publicada no A Tarde(4), onde o psiquiatra Luiz Fernando Pedroso afirma, dentre outras coisas, que “ a criminalidade, em boa parte, é um problema de saúde”, e pérolas como “Entre as pessoas ricas ou pobres há os que têm a natureza boa e os que têm a natureza ruim”. Essas afirmações nos fazem refletir até que ponto podemos dizer que a Antropologia Criminal, que relacionava medições dos crânios dos criminosos mortos com índices de criminalidade está distante da “consciência” médica existente no corpo acadêmico do século XXI?. A população de baixa renda é quem mais sabe dessas tradições “acadêmicas” de longa data, mesmo sem grandes estudos “acadêmicos”, ou a tutela de um instituto de pesquisa para dar ares de verdade. Para provar isso basta perguntar a um usuário do SUS o tratamento respeitoso, animoso, cordial, simpático, profissional, gentil, amistoso, dentre outros adjetivos que ele(a) recebe ao entrar num consultório de um médico baiano, ou mesmo ser atendido por um numa situação emergencial. Abaixo à hipocrisia! A classe médica e a área de saúde genericamente, salvo exceções, é elitista e formada pela elite de cada estado desse país. O estudante rico que entra na área de saúde já odiava atender pobre e preto na sua residência, mas estudar lado a lado com um é demais, a reação demorou, mas está acontecendo, já era hora! Que venham mais dessas confissões abertas e preparemo-nos.</p>
<p style="text-align:justify;">1- Isac Coelho Sousa é graduado em História pela Universidade Estadual de Feira de Santana e colabora com a Soteropolitanos.<br />
2- ARRUDA, Maria Arminda do Nascimento. Dilemas do Brasil Moderno: A Questão Racial na Obra de Florestan Fernandes. Idéias, Campinas, 4 (1/2):43-58, jan/dez.,1997. Pág. 44.<br />
3- MAIO, Marcos Chor. O Projeto UNESCO e a Agenda das Ciências Sociais no Brasil dos Anos 40 e 50. Pág.143.<br />
4-  “Sociedade perdoa, no lugar de reprimir o delinqüente”. A Tarde, 26/3/2007; Bahia e Salvador.</p>
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		<title>Dignidade espancada</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Jan 2008 00:40:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[SEGURANÇA]]></category>

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		<description><![CDATA[por Murilo Gitel
“Violência é o estado em que os seres humanos são tratados como objetos ou coisas”. A definição é da filósofa Marilena Chauí e tem muito a ver com a nossa realidade. É que a violência contra as mulheres em Salvador tem crescido assustadoramente nos últimos anos. Só costumamos lembrar da agressão física, mas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosartigos.wordpress.com&blog=1617618&post=12&subd=soteropolitanosartigos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="justify">por Murilo Gitel</p>
<p align="justify">“Violência é o estado em que os seres humanos são tratados como objetos ou coisas”. A definição é da filósofa Marilena Chauí e tem muito a ver com a nossa realidade. É que a violência contra as mulheres em Salvador tem crescido assustadoramente nos últimos anos. Só costumamos lembrar da agressão física, mas alguém já pensou que esses espancamentos também deixam grandes seqüelas que afetam a saúde mental das vítimas?<span id="more-12"></span></p>
<p align="justify">Segundo dados fornecidos pelo Centro de Atenção Psicossocial (Caps) do bairro Pau Miúdo (o mais próximo da Estrada Velha do Aeroporto), 126 ocorrências relacionadas à violência contra a mulher nas comunidades do entorno da Estrada Velha do Aeroporto foram registradas desde o início deste ano, o que dá uma média de 12,6 agressões por mês, isso sem contar os casos que as vítimas deixam de relatar, geralmente ameaçadas pelos próprios parceiros. Os cientistas sociais Watts e Zimermann publicaram um estudo sobre este tipo de violência há cinco anos e definiram esses abusos como o resultado das relações de poder entre homem e mulher, tornando-se visível a desigualdade que há entre eles, onde o masculino é quem determina qual é o papel do feminino. Já um estudo da Assistente Social Iracema Viterbo Silva realizado em um hospital de emergência de Salvador a respeito do tema constatou que de 701 entrevistas com mulheres na faixa etária de 15 a 49 anos, 321 confessaram ter sido agredidas física, sexual e/ou psicologicamente.</p>
<p align="justify">As agressões psicológicas ou assédio moral costumam ser a origem das violências sexuais, marcadas pela brutalidade física. Os boletins de ocorrência das delegacias de apoio a mulher costumam registrar entrevistas que deixam bem claro a presença de xingamentos da parte do parceiro no momento da agressão, geralmente fazendo referência preconceituosa a fatores como a cor da pele, posição social e fatores estéticos como a gordura. Pesquisas realizadas por diversas instituições feministas e universidades costumam dar mais relevância ao aspecto social relacionado à violência contra a mulher.</p>
<p align="justify">Normalmente, esses estudos são centrados em áreas periféricas das grandes cidades, como Salvador, onde a desigualdade das classes é gritante. Dessa forma, os meios de comunicação costumam noticiar somente os casos de violência doméstica contra as mulheres em bairros periféricos da cidade, como se esses abusos não ocorressem também no seio da classe média/alta. Aí está outro ponto importante para que todos nós possamos refletir. A mulher não apanha apenas na cara, na barriga e no sexo, meus amigos, mas também na mente, no coração e na alma.</p>
<p align="justify">A chamada Lei Maria da Penha, Lei nº 11.340/06 visa coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, além de prever punições severas para os agressores e formas de proteção, sem contar o apoio psicológico às vítimas. Geralmente, tudo começa com um xingamento, um empurrãozinho ali, um arranhão mais na frente até a perversidade completa, quando a situação extrapola todos os limites. Eu penso que faltam campanhas educativas mais esclarecedoras a respeito da importância de se denunciar esses abusos contra a mulher, bem como uma lei mais rígida para os covardes agressores independentemente do tipo de violência praticada.</p>
<p align="justify">E quanto à omissão nos casos em que percebemos a vizinha sendo agredida, geralmente pelo “companheiro”, mas nos calamos covardemente como se nada tivéssemos a ver com isso? Nesses casos, precisamos sim, meter a nossa colher e denunciar com urgência! Alguém já se preocupou em pensar se a vizinha apanha do marido? Do contrário, a dignidade, o brio e a alto-estima destes seres sagrados que nos trouxeram ao mundo é uma dignidade espancada, subtraída por intermédio de um mau-caratismo desumano e que só vem a apresentá-las como estatísticas negativas de maus-tratos, assassinatos, mas, principalmente de falta de companheirismo e amor. Mulheres de todos os cantos: Uni-vos!</p>
<p align="justify">(novembro de 2007)</p>
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		<title>Vila 2 de Julho: passado e presente</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Jan 2008 00:39:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[CIDADE]]></category>

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		<description><![CDATA[por Antônio de Andrade*
Colaboradora: Alba Liberato*
Para conhecer a história da Vila 2 de Julho, é imprescindível situá-la no contexto histórico e social da Cidade de Salvador dos últimos 60 anos. Dentro desse contexto, tudo começou quando em 1944 se construía na Bahia a primeira estrada pavimentada com asfalto, material espetacular que os americanos nos enviavam [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosartigos.wordpress.com&blog=1617618&post=11&subd=soteropolitanosartigos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="justify">por Antônio de Andrade*<br />
Colaboradora: Alba Liberato*</p>
<p align="justify">Para conhecer a história da Vila 2 de Julho, é imprescindível situá-la no contexto histórico e social da Cidade de Salvador dos últimos 60 anos. Dentro desse contexto, tudo começou quando em 1944 se construía na Bahia a primeira estrada pavimentada com asfalto, material espetacular que os americanos nos enviavam para substituir o paralelepípedo, que seria em breve superado.<span id="more-11"></span><br />
Ali nascia a Estrada Velha do Aeroporto – EVA -, que serviria de via direta para uso militar entre o centro da cidade e o aeroporto. Assim se desbravava uma região cujos sítios e fazendas formavam o cinturão verde da cidade do Salvador. Logo depois, a Fazenda Mocambo &#8211; com histórico de refúgio de negros &#8211; era loteada por Dr. Jorge Aguiar, morador da Rua Mocambo até os dias de hoje, homem que desenvolveu inúmeras atividades produtivas no sítio, tendo sido o primeiro e maior produtor de rosas da Bahia.</p>
<p align="justify">Durante muito tempo, Pau da Lima constituiu o maior adensamento populacional ao longo da EVA. Tempos depois, Nova Brasília atraía agricultores do interior, tornando-se um núcleo de pessoas habilitadas na arte de plantar e cuidar de gado. Além dessas habilidades, muitas das mulheres ali residentes ganhavam seu sustento nas atividades de parteiras, rezadeiras e catadoras de folhas medicinais para a venda na Feira de São Joaquim.</p>
<p align="justify">Os novos sítios possuíam extensas áreas, comprados por pessoas que já buscavam o ar puríssimo da região mais alta de Salvador, e tinham o sonho de cultivar pomares e hortas regadas pela água farta dos vales e rios, hoje nos limites da Vila 2 de Julho. Fazendas de gado resistiram ainda por muito tempo, e esse conjunto de atividades do campo garantiram longo período de preservação ambiental. Moradores da Rua Mocambo analisavam suas fontes e cisternas periodicamente para constatar a pureza dos minadouros que nasciam das pedreiras abundantes no local e abasteciam a cidade em expansão.</p>
<p align="justify">Até final da década de 90, a Rua Mocambo constou de sítios de moradores que tinham planejado uma vida mais tranqüila para sua família. Naquela época, valores humanos como o cooperativismo e o associativismo ajudavam na interação entre as pessoas da redondeza, havendo troca intensa de serviços entre vizinhos de diversas classes sociais.</p>
<p align="justify">Esse cenário bucólico começou a mudar na época em que as encostas de outras partes da Cidade de Salvador, instáveis pelo avanço das construções precárias, cediam à menor quantidade de chuva. Sem opção, aquelas famílias eram alocadas nesta região, quando alguns povoados foram levantados da noite para o dia. Assim nasceram Novo Marotinho e Jaguaripe. O bairro Vila 2 de Julho nasce como loteamento, com terrenos adquiridos por pessoas que valorizavam a localização, já com Nova Brasília densamente povoada.</p>
<p align="justify">Atualmente, com a expansão imobiliária na Estrada Velha do Aeroporto, o cenário da natureza exuberante de outrora começa a tomar nova forma. Na área que circunscreve o bairro Vila 2 de Julho, são inúmeros os conjuntos habitacionais, financiados pela Caixa Econômica Federal, construídos sem a menor atenção às leis de proteção ambiental. Árvores centenárias estão tombando aos empurrões dos tratores, e o que flui em nossos rios – Mocambo e Trobogy &#8211; não é mais a água límpida de um passado recente, e sim um líquido caudaloso proveniente dos esgotos tratados anacrônica e insuficientemente, gerados pelos conjuntos de prédios.</p>
<p align="justify">É contraditório um órgão oficial agir de tal maneira quando existe uma ordem mundial em favor da salvação do planeta, e quando ele próprio, a Caixa, imprime e distribui o Estatuto que rege o novo ordenamento urbano conforme as leis de preservação ambiental. Em qual das atitudes se coloca os princípios da instituição pública, já que na teoria diz e professa uma coisa, e na prática faz repetidamente outra inteiramente diversa?</p>
<p align="justify">O aquecimento global tornou-se uma realidade, e cada organização, cada habitante da terra tem o dever de contribuir para a continuidade da espécie humana, através da preservação dos recursos naturais. Devemos lembrar que assim como a Amazônia é considerada o pulmão do mundo, o pouco que resta de Mata Atlântica ao longo da Avenida Paralela e da Estrada Velha do Aeroporto tem a função de equilibrar as condições climáticas da nossa cidade.</p>
<p align="justify">Até quando nós, moradores antigos e novos do bairro Vila 2 de Julho e adjacências, da Estrada Velha do Aeroporto e comunidades vizinhas, assistiremos a lenta degradação da qualidade de vida na região, sem apontar a ocupação irresponsável por parte de órgãos que deviam exatamente despertar e educar a população para preservar o que resta de vida natural na região?</p>
<p align="justify">*Licenciado em Letras pela Universidade Federal da Bahia<br />
Vice-presidente da AMOVILA &#8211; Associação de Moradores Vila Mocambo<br />
Morador da Vila 2 de Julho há 13 anos.</p>
<p align="justify">*Alba Liberato, moradora do bairro há quase quarenta anos forneceu as informações históricas que serviram de base para o texto.</p>
<p align="justify">(setembro de 2007)</p>
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		<title>O prazer da leitura</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Jan 2008 00:38:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>

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		<description><![CDATA[por Bianca Rodrigues*
O que move toda a geração atual é a velocidade da comunicação, onde o acesso ao entretenimento e à informação é muito rápido. Conseqüentemente, a comunicação instantânea, sofre também com o mal que te fez crescer. Em pouco tempo tudo isso fica velho, sem eficácia, sendo por sua vez, descartado. 
As metodologias atuais [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosartigos.wordpress.com&blog=1617618&post=10&subd=soteropolitanosartigos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="justify">por Bianca Rodrigues*</p>
<p align="justify">O que move toda a geração atual é a velocidade da comunicação, onde o acesso ao entretenimento e à informação é muito rápido. Conseqüentemente, a comunicação instantânea, sofre também com o mal que te fez crescer. Em pouco tempo tudo isso fica velho, sem eficácia, sendo por sua vez, descartado. <span id="more-10"></span><br />
As metodologias atuais desenvolvem um trabalho de ensino de leitura fora dos padrões de contexto social, alienada e despreocupada com os “interesses” e gosto do aluno. Sendo assim, um ensino que exclui o estudante ao acesso de um mundo politizado e não permite que esses possuam autonomia e poder para intervir no mundo e suas relações, impedindo a sua formação como cidadão.</p>
<p align="justify">A leitura como forma de entendimento, penaliza o aluno a se tornar um sujeito conformado, que apenas repete, não intervém, não cria e não possui suas próprias iniciativas na sociedade. A habito de ler, além de fazer entender as palavras, deve ser entendido como decodificadora do mundo, pois abre portas, desvenda e alimenta a inteligência, transformando quem ler em sujeito independente em suas idéias e saberes, podendo adentrar e agir na sociedade de forma critica.</p>
<p align="justify">É necessário que seja realizado uma desmistificação de que para ser um “bom leitor”, devem-se priorizar os “clássicos” (apesar de serem muito exigidos), alguns com o passar do tempo já se tornaram obras descontextualizadas para os dias atuais. Deve-se, no entanto, priorizar a recuperação da significação do objeto de leitura, em um estilo contemporâneo e que “salta” para a descoberta e a compreensão da importância do saber ler, criticar e intervir no mundo através da leitura, não apenas na forma de entendimentos de palavras.</p>
<p align="justify">Com tudo isso, o ensino de leitura deve voltar-se para a reconstrução nacional através do incentivo á leitura crítica e vigilante, que não apenas aceita, mas rejeita, desvenda seus mistérios e abstrai a ignorância cultural. Incentivo não somente ao entendimento das nossas palavras, mas para uma formação de consciência crítica.</p>
<p align="justify">*Estudante de letras, moradora de Canabrava</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/soteropolitanosartigos.wordpress.com/10/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/soteropolitanosartigos.wordpress.com/10/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/soteropolitanosartigos.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/soteropolitanosartigos.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/soteropolitanosartigos.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/soteropolitanosartigos.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/soteropolitanosartigos.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/soteropolitanosartigos.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/soteropolitanosartigos.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/soteropolitanosartigos.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/soteropolitanosartigos.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/soteropolitanosartigos.wordpress.com/10/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosartigos.wordpress.com&blog=1617618&post=10&subd=soteropolitanosartigos&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Arte X ignorância</title>
		<link>http://soteropolitanosartigos.wordpress.com/2008/01/04/arte-x-ignorancia/</link>
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		<pubDate>Fri, 04 Jan 2008 00:38:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>

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		<description><![CDATA[Poliana Souza*
Os moradores do bairro Novo Marotinho, assim como em tantos outros, foram criados e educados com a cultura de que somente o que importa é barriga cheia; só trabalhar para comer, sem se importar com outras coisas, com outros valores que podem ajudá-los a se tornar adultos melhores, mais conscientes e mais humanos.
Cansados dessa [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosartigos.wordpress.com&blog=1617618&post=9&subd=soteropolitanosartigos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="justify">Poliana Souza*</p>
<p align="justify">Os moradores do bairro Novo Marotinho, assim como em tantos outros, foram criados e educados com a cultura de que somente o que importa é barriga cheia; só trabalhar para comer, sem se importar com outras coisas, com outros valores que podem ajudá-los a se tornar adultos melhores, mais conscientes e mais humanos.<span id="more-9"></span></p>
<p align="justify">Cansados dessa ignorância, um grupo de adolescentes resol- veu criar uma guerra: ignorância X arte. Há seis anos o grupo de teatro “Haja Palco” vem tentando ocupar espaço na comunidade. Muitos se casaram, saíram e outros voltarão.</p>
<p align="justify">A situação é tão séria que eles já foram caluniados e humilhados em praça pública, quando resolveram pedir aos integrantes uma contribuição de R$ 0,25, chegaram a dizer: “Eles pedem dinheiro para comprar vinho”; “Eles vão extorquir de seus filhos”. Pela quantia pedida dá para ver que era para comprar material para o próprio grupo.</p>
<p align="justify">Agora o grupo vem enfrentando um problema maior, a falta de espaço. Eles foram proibidos de entrar na associação do bairro. Mesmo sabendo que a líder do bairro não pode fazer isso, o grupo de teatro “Haja Palco” se vê de mãos atadas.</p>
<p align="justify">*Poliana Souza, 20 anos, estudante e moradora de Novo Marotinho</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Gravidez na adolescência</title>
		<link>http://soteropolitanosartigos.wordpress.com/2008/01/04/gravidez-na-adolescencia/</link>
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		<pubDate>Fri, 04 Jan 2008 00:37:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[SAÚDE]]></category>

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		<description><![CDATA[Daniela Cruz*
A mídia mostra a todo momento como evitar as DST’S e a gravidez na adolescência, contudo é cada vez maior o número de meninas que já são mães em meu bairro, que agora tem que abrir mão de seus projetos em função de uma vida que agora depende dela. Pena que muitas vezes o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosartigos.wordpress.com&blog=1617618&post=8&subd=soteropolitanosartigos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="justify">Daniela Cruz*</p>
<p align="justify">A mídia mostra a todo momento como evitar as DST’S e a gravidez na adolescência, contudo é cada vez maior o número de meninas que já são mães em meu bairro, que agora tem que abrir mão de seus projetos em função de uma vida que agora depende dela. Pena que muitas vezes o pai da criança se abstém desta responsabilidade restando o apoio dos pais da menina, os quais acabam arcando com a criação de mais um “filho”.<span id="more-8"></span></p>
<p align="justify">As pessoas costumam jogar a culpa de uma gravidez inesperada na mulher, mas são meninas pressionadas pelo namorado a transar sem camisinha. Eles dizem não sentir prazer. Ah, ta bom, usem pílulas, legal a menina chega em casa e diz ao pai: “Pai tô precisando de dinheiro” e ele pergunta “pra quê minha filha, não vá dizer que é para comprar o novo pôster de Felipe Dylon”, “não pai, é para comprar pílula”. As coisas não são assim como imaginamos ser, falar é fácil, difícil é achar solução para o problema.</p>
<p align="justify">*Daniela Cruz, 28 anos, estudante e moradora de Vila 2 de Julho</p>
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		<title>O Subúrbio e o outro PDDU</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Jan 2008 00:36:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Soteropolitanos</dc:creator>
				<category><![CDATA[CIDADE]]></category>

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		<description><![CDATA[
por André Araújo
Novas rodadas sobre o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano -PDDU estão acontecendo na Câmara Municipal de Salvadador e mais uma vez, o subúrbio ferroviário não entra na pauta do projeto enviado pela Prefeitura de Participação Popular. Volta e meia o Ministério Público entra com uma ação contra a falta de transparência na tramitação [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosartigos.wordpress.com&blog=1617618&post=7&subd=soteropolitanosartigos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:center;"><img src="http://soteropolitanosdosuburbio.files.wordpress.com/2007/11/colaborador-praia-tubarao.jpg" alt="colaborador-praia-tubarao.jpg" /></p>
<p>por André Araújo</p>
<p align="justify">Novas rodadas sobre o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano -PDDU estão acontecendo na Câmara Municipal de Salvadador e mais uma vez, o subúrbio ferroviário não entra na pauta do projeto enviado pela Prefeitura de Participação Popular. Volta e meia o Ministério Público entra com uma ação contra a falta de transparência na tramitação do projeto que continua sem a participação da sociedade. O detalhe maior é o prefeito pedir pressa na votação. Afinal, que participação a sociedade quer ter neste processo? A quem interessa este PDDU, João? Pra quê tanta pressa, João?<span id="more-7"></span></p>
<p align="justify">Voltando ao tempo, nas últimas eleições para a Prefeitura de Salvador foram muitas as propostas para a cidade baixa e o subúrbio da cidade. Com a vitória de João Henrique, o subúrbio aguarda apreensivo por uma obra de relevância. A esta altura do campeontato, estas intervenções nunca chegaram.</p>
<p align="justify">O prefeito deveria cumprir pelo menos o básico, pois será difícil acreditar que o subúrbio entrará no roteiro turístico de Salvador até o final do seu mandato, se até os pontos turísticos tradicionais da terceira capital do país não vêm apresentando boas condições para visitação turística.</p>
<p align="justify">Como sempre, os acordos virão, as eleições chegarão, o PDDU cedo ou tarde passará na CMS e o subúrbio estará esquecido, pois naquela Câmara, nenhum Vereador representa os nossos interesses. A especulação imobiliária, como sempre, ditará o projeto para a cidade.</p>
<p align="justify">Sabemos que existem dois PDDU: o primeiro, da verdadeira Salvador que cresce para o lado do subúrbio, com os grandes problemas sociais que nunca são resolvidos, como o exemplo recente, onde terrenos na Praia de Tubarão e na Lagoa da Paixão em Fazenda Coutos foram invadidos por centenas de famílias de várias partes da cidade que não tinham onde morar.</p>
<p align="justify">Para a prefeitura, o subúrbio ferroviário estará sempre em &#8220;fase de crescimento&#8221; para receber os &#8220;sem tetos&#8221; e, sem querer querendo,fora das discussões do PDDU, enquanto a outra parte da cidade que também cresce &#8211; a área da Avenida Paralela e Orla marítima, que serão discutidas num segundo PDDU, talvez mais interessante, são as privilegiadas, onde a especulação imobiliária está presente e verdadeiramente, possui grandes e bons representantes na CMS.</p>
<p align="justify">Para entender o projeto do planejamento urbano em Salvador, vale recorrer à história. Até a década de 50, a cidade ainda não havia sofrido um processo intenso de crescimento econômico e urbano. Ainda possuía muito de sua face antiga. Mas a chegada da indústria petrolífera ao recôncavo, com a instalação da Refinaria Landulpho Alves, em Mataripe, e a construção de estradas federais provocaram o fenômeno da migração populacional para a capital, que se intensificou bastante nos anos 70, com a construção do Centro industrial de Aratu e do Pólo Petroquímico de Camaçari.</p>
<p align="justify">Os problemas no subúrbio ferroviário vieram juntamente com este desenvolvimento da Região Metropolitana da cidade.</p>
<p align="justify">Com isso, o subúrbio deveria estar preparado para receber as centenas de famílias enviadas pela prefeitura de Salvador que sempre alegou falta de recursos para a construção de casas populares, a fim de resolver ou diminuir o imenso déficit habitacional que existe, transformando a capital baiana em morros e favelas com construções desordenadas e falta de estrutura básica de moradia.</p>
<p align="justify">Para o subúrbio, não interessa mais participar somente na escolha dos candidatos a Prefeito e Vereador da cidade. A sociedade quer participar das discussões do verdadeiro PDDU com um amplo projeto para a rica região suburbana da cidade. A falta de políticas públicas efetivas para a classe baixa e a total escassez de projetos para o futuro da região, evidencia que propostas eleitoreiras são somente propostas. O que falta é interesse e vontade política para planejar e tornar o subúrbio um lugar digno para as nossas famílias.</p>
<p align="justify">=================================================<br />
André Araújo, 26 anos, estudante de administração de empresas na Faculdade Dois de Julho, trabalha com auditorias na área de gestão e qualidade, morador de Paripe e colaborador da Soteropolitanos.<br />
Site: <a href="http://www.andrearaujo.net/">www.andrearaujo.net</a><br />
E-mail: <a href="mailto:andrearaujo.ba@hotmail.com">andrearaujo.ba@hotmail.com</a></p>
<p align="justify">(novembro de 2007)</p>
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		<title>Questionamentos de uma vida</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Sep 2007 00:18:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lufero</dc:creator>
				<category><![CDATA[IDÉIAS]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Lucas Rocha
A vida é eterna, não tem princípio e muito menos fim. Podemos considerá-la uma viagem. Os amigos queridos que nela fazemos, voltam para nós uma e outra vez, sem ponto final, nossas histórias se completam em uma trajetória circular, tornando-se infinita. A morte na verdade não é o fim, mas sim um outro [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=soteropolitanosartigos.wordpress.com&blog=1617618&post=6&subd=soteropolitanosartigos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p align="justify">Por Lucas Rocha</p>
<p align="justify">A vida é eterna, não tem princípio e muito menos fim. Podemos considerá-la uma viagem. Os amigos queridos que nela fazemos, voltam para nós uma e outra vez, sem ponto final, nossas histórias se completam em uma trajetória circular, tornando-se infinita. A morte na verdade não é o fim, mas sim um outro começo, uma nova chance de fazer diferente, uma nova chance de fazer valer a pena. Mas falando em valer, o que na verdade vale a pena?<span id="more-6"></span></p>
<p align="justify">Nós nunca morremos porque na verdade nunca nascemos. A única coisa que fazemos é voltar para compensar algo pendente que aqui deixamos. Não existe tristeza completa, nem alegria completa. Como já dizia a crença chinesa do Yin Yang, onde há o mal, também há um pouco do bem, e onde há o bem, também há um pouco do mal. Nada é completo, somos um quebra cabeças que procura desesperadamente por sua peça final, que sem a qual não podemos vencer o jogo. É assim que alguns encaram a vida, como um jogo. Muitos se queixam de perder o jogo, mas não há derrota. Derrota significa perder, mas se com essa “derrota” conseguimos ganhar alguma experiência, isso não pode ser considerado perda, mas sim ganho, o que é igual à vitória.</p>
<p align="justify">Monstros? Dragões? Opressores? Tiranos? São coisas do passado? Não! São coisas do presente. Todas as criaturas abomináveis continuam a existir, porém com uma nova embalagem. Com o fenômeno da globalização houve o problema da originalidade. Então essas criaturas se camuflaram em outros seres para parecerem mais dóceis, quando na verdade são ainda mais perigosos.</p>
<p align="justify">A fome, a sede, a miséria, as condições sub-humanas são marcas presentes desde a era do capitalismo. Na verdade isso começou desde os primórdios. O mundo era do mais forte. A única diferença é a forma de medir essa força. Antes, a força se referia a força física, mas hoje, força é status, é poder, é dinheiro e quem tem força, tem quase tudo.</p>
<p align="justify">Uma noite de alegria, uma festa maravilhosa, muito dinheiro para gastar. Isso faz um bem para o jovem contemporâneo. Um lugar na sombra, um copo d’ água, um prato de comida e um teto para dormir, isso faz a idéia de ficção abalar um mundo de desordem, um mundo sem lei que urge por um libertador. Na verdade não somos o que somos, muito menos o que queremos. Somos o que fazemos.</p>
<p align="justify">Do que vale uma oração sem ação? Do que vale um querer bem se não expresso? Do que adianta chorar se não alivia a dor? Talvez para alguns alivie, para outros com certeza não.  </p>
<p align="justify">Muitos de nós passamos a vida buscando por respostas. Mas será que para tudo há uma resposta? Respostas boas, respostas más, a urgência pela resposta provoca a curiosidade e quando não a temos, a criamos, como se na verdade existisse. Respostas não são tudo. Respostas não são nada. Afinal, o que são respostas?</p>
<p align="justify">A vida existe para ser vivida, não para ser questionada. Muito se questiona acerca do segredo da vida. Afinal, qual é o segredo da vida? Respostas? Essa será uma dúvida eterna, pois talvez nunca consigamos a resposta. Já que a vida é eterna e não há respostas para todas as perguntas, talvez não haja um segredo da vida. Mas se tudo se anula o tempo todo, a vida e morte deveriam se anular. Já que a morte não existe, o que seria o contrário de vida?</p>
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